PROINVESTORS

Volatilidade, crescimento e os riscos do experimentalismo.

por Jô Vieira

22/11/2009

A semana foi marcada por uma volatilidade alta, e, refletindo o tom do discurso do presidente J.C.Trichet (Banco Central Europeu), os principais índices do mercado internacional encerraram em queda nesta sexta-feira (20).

A Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico divulgou também relatório destacando que ainda seriam necessárias medidas radicais para restabelecer o equilíbrio macroeconômico e o crescimento saudável. O dilema entre a precificação de um cenário mais positivo e os riscos que se apresentam à frente, continuarão favorecendo a volatilidade dos preços dos ativos.

E o Brasil como fica neste cenário? Estamos na crista da onda.

A revista britânica "The Economist, chamou o Brasil de "a maior história de sucesso na América Latina" ressaltando que o país tem foi um dos últimos a entrar em recessão por causa da crise mundial, e um dos primeiros a sair dela.

O texto alerta ainda para o risco decorrente do excesso de confiança. A revista diz que o presidente Luiz Inácio da Silva merece a "adulação" que tem recebido, mas que ele também é "sortudo" por estar governando num período de alta de preços de commodities (exportadas pelo Brasil) e num terreno "sólido" preparado por seu antecessor Fernando Henrique Cardoso. Desde que assumiu em 2002 o Presidente Lula manteve a política econômica exatamente como deixada pelo governo FHC, a despeito dos reclamos dos radicais petistas, com a "receita ortodoxa".

Agora, se estamos a viver o melhor momento da economia brasileira, desde 1964, graças ao rigor em seguir esta ortodoxia, cujo maior defensor é o presidente do Banco Central – Henrique Meirelles, a mania de trilhar caminhos heterodoxos, cujos resultados, em passado não muito distante foram calamitosos, começa a aparecer no discurso das autoridades governamentais.

O ministro da Fazenda vem atuando com uma desenvoltura nunca antes vista. Primeiro com medida de taxar o capital estrangeiro “para evitar o surgimento de uma bolha especulativa na BMF-BOVESPA”. Mais recentemente com o comentário que com o dolar a R$ 2,60 "venceríamos a todos”, pois os produtos brasileiros ficariam mais competitivos no mercado internacional.

A valorização do real reflete a aposta dos investidores internacionais na vitalidade da economia brasileira, que está pronta para crescer em ritmo superior ao dos países ricos e de outros emergentes. A fixação artificial da taxa de câmbio, como ocorrido com as maxidesvalorizações em 1973, 1983 e 1991 privilegia exportadores e transfere o ônus para o restante da população.

Se o governo estiver realmente interessado em minorar o desequilíbrio externo basta reduzir os impostos restaurando a competitividade aos exportadores. A China, freqüentemente bastante citada por Mantega como exemplo, tem uma carga tributária de 18%. Menos da metade daquela que empresas e cidadãos brasileiros pagam.

Com Estado mais eficiente – nos serviços básicos que deve prestar aos cidadãos – saúde, educação e segurança – e o fim da gastança, venceríamos todos.

 

Artigo de José Vieira Neto escrito para a GAZETA Cidadania & Negócios, que dedica um espaço especial chamado "Credibilidade e Informação" para tratar de investimentos, explicando para o leitor como melhor alocar seu dinheiro.