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Investir em ações de terceira linha é um bom negócio?

por Jô Vieira

08/03/2010

Tenho recebido emails de leitores solicitando que comente as vantagens de investir em ações de terceira linha, pois as mesmas tem apresentado neste início de ano, na maioria das vezes, boas oportunidades de lucro.

Vamos começar então esclarecendo que são chamadas de terceira linha aquelas negociadas em bolsa que passam muitas vezes dias e dias sem nenhum negócio realizado, na maioria das vezes empresas de médio porte com pouca disponibilidade de informações financeiras, e que apresentam grandes oscilações de preço (alta volatilidade).

Alguns destes papéis são chamados no jargão do mercado como “micos”, pois são ações de companhias pequenas, muitas vezes altamente endividadas e pouco procuradas pelos investidores. Face a baixa liquidez, são ativos de alto risco e volatilidade elevada. Você investiria em um papel com tais características? Com certeza para a maioria dos leitores, ações desse tipo são sinônimo de "roubada"; para outros no entanto, são oportunidades de lucro rápido e se aventuram nesse segmento. Alguns deles apresentaram ganhos em curtíssimo prazo que, com outros investimentos, seria obtido apenas em anos. Daí a atratividade dos mesmos sobre os incautos que imaginam serem as Bolsas de Valores grandes cassinos.

Infelizmente muitos investidores neófitos na busca do lucro fácil, são atraídos para “chats” onde espertalhões costumam alardear ganhos no “trade” e perspectivas mirabolantes de resultados para estas empresas. Por serem ações de liquidez muito baixa, qualquer especulação pode trazer lucros significativos para esses espertalhões, que montam posições em algum “mico” para, posteriormente, iniciarem tópicos em salas de bate-papo buscando atrair outros investidores para aplicarem recursos nesses papéis. Quando o investidor iniciante começa a comprar, eles vendem suas posições e os papéis despencam rapidamente. Portanto caro leitor, não se deixe dominar pela ganância e pela perspectiva de lucro fácil. Fuja das oportunidades de lucro mirabolantes que costumam aparecer na internet.

O investidor iniciante deve buscar a orientação adequada através de uma Corretora autorizada a operar pela CVM e discutindo as alternativas apresentadas com base nos fundamentos da empresa. Buscar empresas líderes do setor é um bom começo ou ainda empresas detentoras de tecnologia de ponta, sem se descuidar do ambiente macroeconômico. Selecionar papéis de empresas transparentes, com bom histórico de governança corporativa, afinal, investir em ações não é uma aposta no escuro.

Reconheço a atratividade dos “micos” mas confesso que prezo muito meus recursos para adotar um perfil tipo tudo ou nada. Afinal a essência do investimento em ações reside ser sócio da empresa e usufruir do seu crescimento. Investir na bolsa não é um jogo. Bolsa não é cassino.

 

Artigo de José Vieira Neto escrito para a GAZETA Cidadania & Negócios, que dedica um espaço especial chamado "Credibilidade e Informação" para tratar de investimentos, explicando para o leitor como melhor alocar seu dinheiro.