Bovespa em julho teve a maior alta em 14 meses
por Jô Vieira
03/08/2010
A redução da volatilidade em julho foi decisiva para que os investidores voltassem para ativos menos conservadores em busca de um maior retorno.
O investidor estrangeiro voltou a aplicar na BOVESPA em julho e o saldo acumulado dos investidores atingiu R$ 3,3 bilhões no mês enquanto as pessoas físicas nacionais haviam retirado da bolsa cerca de R$ 3 bilhões.
Outros fatores como a safra de balanços das empresas, divulgados ao longo de julho, com resultados acima das projeções dos analistas; os mais recentes dados macroeconômicos divulgados sinalizando não um novo mergulho das principais economias na recessão e sim um crescimento lento, fruto da acomodação da atividade econômica no mundo; o resultado positivo do teste de estresse dos bancos europeus e, a decisão do BCB em subir os juros em magnitude menor que a esperada pelo mercado, mudaram o humor do mercado fazendo com que alternativas mais seguras como renda fixa e ouro, perdessem espaço.
O ouro, que nos últimos meses apresentou desempenho positivo no mercado global, confirmando a preferência dos investidores como a alternativa para os períodos de aversão ao risco, encerrou julho como o pior investimento, com um rendimento negativo de 4,40%. Os CDBs pré-fixados de 30 dias renderam 0,85% em julho, pouco acima do benchmark CDI (+0,82%). A caderneta de poupança apresentou retorno de 0,62%. O dólar, acompanhado pela variação da Ptax, encerrou o mês com rentabilidade negativa em 2,46%.
No extremo oposto, os 67.515,40 pontos alcançado pelo IBOVESPA no pregão de 30.07, acumulou alta de 10,8%, a maior valorização mensal desde maio do ano passado, liderando com larga vantagem os demais investimentos no país.
No mesmo período, o índice norte-americano S&P teve alta de 7%. A volta dos investidores estrangeiros proporcionou um descolamento entre a bolsa brasileira e as bolsas internacionais, mormente em relação à Bolsa de Nova York.
A alta de julho, no entanto, não foi suficiente para neutralizar a queda de 11,9% ocorrida entre abril e junho, mas poderá significar a recuperação do mercado em direção aos 85.000 projetados para dezembro de 2010.
Variações das principais métricas de investimento em julho:
Investimento |
Julho |
Real* |
Junho |
Real** |
Ibovespa |
+10,80% |
10,63% |
-3,35% |
-4,16% |
CDI*** |
0,82% |
+0,67% |
+0,79% |
-0,06% |
CDB **** |
0,85% |
0,70% |
+0,83% |
-0,02% |
Poupança |
0,62% |
0,47% |
+0,56% |
-0,29% |
Ouro |
-4,43% |
-4,57% |
+2,78% |
+1,91% |
Dólar Ptax |
-2,46% |
-2,61% |
-0,84% |
-1,97% |
IGP-M |
0,15% |
- |
0,85% |
- |
Aposta em agosto
A Bolsa deverá continuar sendo um bom investimento, desde que o cenário internacional não apresente uma deterioração do quadro atual. Não se pode esperar, portanto, sobressaltos em relação às cotações do ouro e do dólar e o baixo retorno da renda fixa.
Como resultante, as forças altistas voltaram a predominar provocando o rompimento da resistência intermediária de 65.830 pontos e deixando o caminho livre para o índice Bovespa seguir ziguezagueando rumo aos 71.989.
Assim, investir em ações, principalmente nos setores de alimentos, minério de ferro e vestuário, menos sujeitos aos humores externos continuará sendo uma boa alternativa. Afinal, para quem pensa no longo prazo, a Bolsa é a melhor opção.
Artigo de José Vieira Neto escrito para a GAZETA Cidadania & Negócios, que dedica um espaço especial chamado "Credibilidade e Informação" para tratar de investimentos, explicando para o leitor como melhor alocar seu dinheiro.
